Análise da Paisagem

Aula 21 - Planejamento Territorial: Diretrizes, Prioridades e Medidas
Curso de Geografia

Luiz Diego Vidal Santos

Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)

2026-05-06

Visão Geral da Aula

Tópicos

  • 1 Do diagnóstico à proposição
  • 2 Planejamento territorial e paisagem
  • 3 Tipos de diretrizes
  • 4 Conservação, conectividade e restauração
  • 5 Priorização: critérios e matriz
  • 6 Exercício: diretrizes para a área de estudo

Objetivo da Aula

Compreender como a análise da paisagem fundamenta o planejamento territorial, formular diretrizes de conservação, conectividade, restauração e uso sustentável, e aplicar critérios de priorização à área de estudo.

1 - DO DIAGNÓSTICO À PROPOSIÇÃO

O terceiro nível de leitura

Relembrando os três níveis (Aula 10)

Nível O que faz Status
Descrição Relata o que se vê/mede ✅ Feito
Interpretação Explica por que e como ✅ Feito
Proposição Sugere o que fazer ⬆️ Agora

A etapa propositiva

Agora que temos:

  • Caracterização da paisagem (Aulas 07-09)
  • Evidências de SR e mudanças (Aulas 13-16)
  • Métricas de estrutura e conectividade (Aulas 17-18)
  • Unidades de paisagem (Aula 19)
  • Diagnóstico integrado (Aula 20)

É hora de responder: o que fazer?

O papel da análise da paisagem no planejamento

A análise da paisagem contribui com:

  1. Base territorial - delimitação de unidades para gestão diferenciada
  2. Evidências - dados espacializados para fundamentar decisões
  3. Diagnóstico - identificação de problemas e oportunidades
  4. Conectividade - visão da paisagem como sistema funcional
  5. Cenários - projeção de consequências de diferentes opções
  6. Priorização - critérios técnicos para alocação de recursos

Instrumentos que se beneficiam

  • Planos Diretores Municipais
  • Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE)
  • Planos de Bacia Hidrográfica
  • Planos de Manejo de UC
  • CAR e Programas de Regularização Ambiental (PRA)
  • Estudos de Impacto Ambiental (EIA/RIMA)

2 - TIPOS DE DIRETRIZES

Categorias de ação

1. Conservação

Ação Quando aplicar Exemplo
Proteção integral Remanescentes em bom estado, alta biodiversidade UC, RPPN, APP
Uso sustentável Áreas com potencial produtivo + conservação Reserva Legal, extrativismo
Manutenção de matriz permeável Matriz com alguma cobertura Sistemas agroflorestais

2. Restauração

Ação Quando aplicar Exemplo
Restauração ecológica Área degradada com potencial de regeneração Plantio de nativas, nucleação
Restauração de APP Mata ciliar ausente ou insuficiente Recomposição de faixa de 30 m
Recuperação de solo Erosão ativa, compactação Retaludamento, terraceamento

3. Conectividade

Ação Quando aplicar Exemplo
Corredor ecológico Fragmentos isolados (ENN alto) Faixa de vegetação entre fragmentos
Trampolim (stepping stone) Distâncias grandes entre manchas Pequenas manchas ao longo do caminho
Melhoria da matriz Matriz impermeável Agrofloresta, silvipastoril

4. Uso e gestão

Ação Quando aplicar Exemplo
Intensificação sustentável Pastagem extensiva de baixa produtividade Manejo de pasto, irrigação eficiente
Requalificação Área urbana/periurbana desorganizada Plano de ordenamento, drenagem
Monitoramento Áreas com tendência de degradação Alertas por SR, fiscalização

3 - PRIORIZAÇÃO

Como definir prioridades?

Critérios de priorização

Critério Pergunta Peso sugerido
Urgência A degradação é reversível? Há risco iminente? Alto
Importância ecológica Biodiversidade, serviços ecossistêmicos, conectividade Alto
Viabilidade É técnica e economicamente viável? Médio
Legalidade Há obrigação legal (APP, RL, UC)? Alto
Abrangência Quantas UPs ou processos são afetados? Médio
Custo-benefício Relação entre investimento e resultado esperado Médio
Aceitação social A comunidade local apoia? Médio

Matriz de priorização (modelo)

Ação Urgência Importância Viabilidade Legal Total
Restaurar APP rio principal 5 5 4 5 19
Proteger fragmento topo serra 3 5 5 4 17
Corredor entre fragmentos 4 5 3 3 15
Manejo de pastagem (UP-3) 3 3 4 2 12
Recuperar voçorocas (UP-8) 5 4 2 3 14

Escala: 1 (baixo) a 5 (alto). Total = soma dos critérios. Maior total = maior prioridade.

A matriz não substitui o julgamento técnico - ela organiza e transparenta os critérios da decisão.

4 - CONSERVAÇÃO E CONECTIVIDADE

Estratégias espaciais

Conservação baseada em evidências

A análise da paisagem indica onde conservar:

  1. Fragmentos com maior dPC (importância para conectividade) → prioridade de proteção
  2. Maior mancha (LPI) → refúgio e fonte de propágulos
  3. Fragmentos em topos e encostas → proteção de nascentes e controle de erosão
  4. APPs e Reservas Legais → obrigação legal

Conectividade: de onde a onde?

  • Identificar núcleos-fonte (manchas grandes, em bom estado)
  • Identificar caminhos de menor custo (Graphab, Linkage Mapper)
  • Definir tipo de corredor (ripário, terrestre, stepping stones)
  • Dimensionar largura mínima (30-100 m para corredor funcional)

Restauração estratégica

Restaurar onde dará mais resultado:

Critério Prioridade de restauração
APP sem mata ciliar 🔴 Máxima (legal + funcional)
Conexão entre fragmentos grandes 🔴 Alta (conectividade)
Entorno de nascentes 🟠 Alta (proteção hídrica)
Encostas com erosão 🟠 Alta (controle de degradação)
Áreas abandonadas próximas a fragmentos 🟡 Média (regeneração natural)

Ferramentas de apoio

  • Graphab / Conefor → identificar manchas prioritárias para conectividade
  • QGIS → análise de custo-distância, rotas de corredor
  • MapBiomas Alerta → monitorar novos desmatamentos
  • CAR → identificar déficits de APP e Reserva Legal

5 - EXERCÍCIO

Diretrizes para a área de estudo

Roteiro (50 min)

  1. Retomar o diagnóstico (5 min)
    • Reler pressões, vulnerabilidades, potencialidades (Aula 20)
    • Ter o mapa de unidades de paisagem em mãos (Aula 19)
  2. Propor diretrizes por UP (15 min)
    • Para cada UP: pelo menos 1 diretriz principal
    • Classificar por tipo: conservação, restauração, conectividade, uso/gestão
  3. Preencher a matriz de priorização (15 min)
    • Pontuar cada diretriz nos 4+ critérios
    • Ordenar por total
  4. Redigir texto propositivo (10 min)
    • 2 parágrafos: prioridades + justificativa técnica
    • Referenciar métricas e evidências
  5. Discussão em sala (5 min)
    • Comparar prioridades entre equipes/áreas de estudo

Entrega

  • Tabela de diretrizes por UP
  • Matriz de priorização preenchida
  • Texto propositivo (2 parágrafos)

Prazo: até Aula 22 (mesma semana)

Modelo de tabela

UP Tipo Diretriz Justificativa
UP-1 Restauração Recompor APP Mata ciliar < 30 m
UP-3 Uso Manejo de pastagem NDVI < 0,2
UP-5 Conservação Criar RPPN Alta biodiversidade
UP-2↔︎UP-5 Conectividade Corredor ENN = 850 m

Síntese da Aula 21

O que vimos hoje

  1. Do diagnóstico à proposição - o terceiro nível de leitura da paisagem
  2. Tipos de diretrizes - conservação, restauração, conectividade, uso/gestão
  3. Priorização - critérios (urgência, importância, viabilidade, legalidade) e matriz
  4. Estratégias espaciais - onde conservar, onde restaurar, onde conectar
  5. Exercício - diretrizes e priorização para a área de estudo

Obrigado!

Luiz Diego Vidal Santos

Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)

Análise da Paisagem - Aula 21